REVISTA MIA / 23 de Julho, 2026

Revista MIA - Maio 26'

Entre a Gratidão pelo Passado e a Confiança no Futuro

Lucas Lima
Por Lucas Lima

Há cerca de dois anos entrei na Minho Investment Association sem imaginar o impacto que esta experiência teria no meu percurso pessoal e profissional.

Comecei como Colaborador no Departamento Financeiro, num período desafiante de transição. Mais tarde, assumi funções como Gestor de Projetos da Rede Social X, onde desenvolvi competências de liderança, comunicação e coordenação de equipas. Nos últimos meses, tive a honra de integrar a Direção da MIA como Diretor Financeiro e Tesoureiro.

Ao longo deste percurso, tive o privilégio de trabalhar com pessoas extraordinárias, de diferentes áreas e percursos, mas unidas pela vontade de aprender, crescer e contribuir para a associação.

Ser Diretor Financeiro da MIA foi uma responsabilidade que procurei assumir com o máximo compromisso e rigor. Mais do que gerir números, foi uma oportunidade para contribuir para o crescimento de uma organização que continua a afirmar-se no panorama académico e associativo do Minho.

Hoje chega o momento de encerrar este capítulo. Faço-o com enorme gratidão pelas amizades, pelos desafios e pelas aprendizagens que levo comigo. Saio mais preparado, mais consciente das responsabilidades da liderança e muito orgulhoso do caminho que percorremos juntos.

É também com satisfação que passo o testemunho ao Tiago Costa, que assumirá o cargo de Diretor Financeiro e Tesoureiro. Conhecendo a sua intelegência, paixão pela política e pelos números, compromisso, dedicação e capacidade de trabalho, tenho plena confiança de que dará continuidade ao excelente trabalho desenvolvido até aqui e contribuirá para levar a associação ainda mais longe.

Tal como em qualquer investimento de longo prazo, o verdadeiro valor da MIA não está apenas nos resultados alcançados, mas sobretudo nas pessoas que continuam a construir o seu futuro. E esse futuro, garanto-vos, está em boas mãos. Deixo também uma palavra especial de agradecimento à Filipa Esteves, cuja liderança foi determinante para o sucesso deste mandato, bem como a todos os colegas da Direção e a todos os membros do Departamento Financeiro com quem tive o privilégio de trabalhar. À Minho Investment Association, deixo um profundo agradecimento por tudo o que me proporcionou. Foi um privilégio fazer parte desta história e contribuir para o crescimento desta associação.

A minha jornada acaba aqui, mas continuarei a acompanhar com orgulho e atenção o vosso caminho.


Obrigado por tudo,

Lucas Lima

Jensen Huang: O Homem por Detrás da Revolução da Inteligência Artificial

André Abreu
Por André Abreu

Nos últimos anos, poucos nomes tiveram tanto impacto nos mercados financeiros como Jensen Huang, fundador e diretor executivo da NVIDIA. Embora a empresa tenha sido criada em 1993 com o objetivo de desenvolver placas gráficas para videojogos, a sua trajetória acabou por colocá-la no centro de uma das maiores transformações tecnológicas do século XXI: a Inteligência Artificial (IA).

Nascido em Taiwan e criado nos Estados Unidos, Jensen Huang fundou a NVIDIA aos 30 anos, numa época em que a computação gráfica era um nicho relativamente pequeno. Durante décadas, a empresa desenvolveu tecnologias para melhorar o desempenho visual dos computadores. No entanto, aquilo que parecia ser apenas uma ferramenta para jogadores revelou-se fundamental para o desenvolvimento da IA moderna.

Os modelos de Inteligência Artificial exigem uma enorme capacidade de processamento para serem treinados. As unidades de processamento gráfico (GPUs) produzidas pela NVIDIA demonstraram ser particularmente eficazes nessa tarefa, tornando-se uma peça essencial para empresas tecnológicas, centros de investigação e startups de IA em todo o mundo. Como resultado, a procura pelos seus produtos cresceu exponencialmente.

Esta transformação teve um impacto extraordinário nos mercados financeiros. Em poucos anos, a NVIDIA passou de uma empresa relevante no setor tecnológico para uma das maiores empresas cotadas do mundo, atingindo valorizações que rivalizam com gigantes históricos como a Apple e a Microsoft. Para muitos investidores, a empresa tornou-se o principal símbolo da corrida global à Inteligência Artificial.

Contudo, o caso da NVIDIA também levanta questões importantes para os mercados. Será que o entusiasmo em torno da IA justifica as avaliações atuais das empresas tecnológicas? Estaremos perante uma revolução comparável à internet ou perante uma nova bolha especulativa? Independentemente da resposta, Jensen Huang tornou-se uma figura central neste debate.

Mais do que um empresário de sucesso, Jensen Huang representa a capacidade de identificar oportunidades tecnológicas de longo prazo e de manter uma visão estratégica durante décadas. O seu percurso demonstra como a inovação pode criar valor económico significativo e alterar profundamente a forma como os investidores encaram determinados setores.

Num momento em que a Inteligência Artificial continua a transformar indústrias inteiras, compreender o papel de Jensen Huang é também compreender uma das principais forças que estão a moldar os mercados financeiros da atualidade.

Como a IA está a mudar a geopolítica mundial

Francisca Fernandes
Por Francisca Fernandes

Como a Inteligência Artificial transformou a energia no ativo mais estratégico do século XXI

Quando pensamos em Inteligência Artificial (IA), pensamos normalmente em algoritmos, software e inovação tecnológica. No entanto, a verdadeira corrida pela IA pode não estar a acontecer nos computadores, mas sim nas redes elétricas.

A IA necessita de enormes quantidades de energia para funcionar. À medida que os modelos se tornam mais avançados, aumenta também a necessidade de eletricidade, transformando a energia num dos recursos mais estratégicos da atualidade.

O poder sempre pertenceu a quem controla energia

Ao longo da História, as grandes potências destacaram-se por dominarem as principais fontes de energia do seu tempo. O carvão impulsionou a Revolução Industrial e o petróleo definiu grande parte da geopolítica do século XX.

Hoje, a eletricidade parece estar a assumir esse papel. A capacidade de produzir energia abundante e barata poderá tornar-se um dos fatores decisivos de poder no século XXI.

A IA tem uma enorme fome de energia

Os sistemas de IA dependem de gigantescos centros de dados equipados com milhares de processadores. Estes funcionam continuamente, consumindo enormes quantidades de eletricidade.

Por isso, a questão já não é apenas quem desenvolve a melhor IA, mas também quem consegue fornecer a energia necessária para a alimentar.

Estados Unidos e China: uma nova competição global

A corrida pela IA está a intensificar a rivalidade entre os Estados Unidos e a China.

Os EUA lideram no desenvolvimento de software e chips avançados. Já a China possui uma forte capacidade industrial e uma posição estratégica em vários minerais essenciais para a produção tecnológica.

Cada vez mais, a competição tecnológica é também uma competição energética.

O desafio do arrefecimento

Além do elevado consumo energético, os centros de dados produzem enormes quantidades de calor. O arrefecimento tornou-se um dos maiores desafios para a expansão da IA.

Por essa razão, algumas empresas estudam a possibilidade de instalar centros de dados junto ao mar ou até submersos. A água pode funcionar como um sistema natural de refrigeração, reduzindo custos energéticos e aumentando a eficiência.

Conclusão

A Inteligência Artificial é frequentemente vista como uma revolução digital. No entanto, por detrás dos algoritmos existem centrais elétricas, infraestruturas energéticas e recursos naturais.

Tal como o petróleo marcou o século XX, a energia poderá ser o fator que definirá o equilíbrio geopolítico do século XXI. E num mundo cada vez mais dependente da IA, quem controlar a energia poderá controlar uma parte significativa do futuro.

A influência de Israel nos EUA

Rodrigo Martins
Por Rodrigo Martins

A aliança entre os Estados Unidos e Israel é uma parceria complexa, que vai muito além do apoio diplomático aparente. Ao fornecer anualmente milhares de milhões de dólares em armamento de última geração, Washington compactua diretamente com a agenda do sionismo radical. O que vemos hoje em Gaza e no Líbano não é a ação de um aliado isolado e descontrolado, mas sim o resultado de uma máquina militar alimentada e blindada pela maior potência do mundo, sendo por algum motivo, protegida sempre que possível.

Esta cumplicidade estrutural influenciou as grandes intervenções norte-americanas no Médio Oriente nas últimas décadas. Desde a invasão do Iraque, à destabilização da Líbia, à intervenção na Síria, entre outras operações, a "estratégia" de Washington, movida por interesses de segurança global e pelo controlo do petróleo, serviu para eliminar e enfraquecer os inimigos históricos de Telavive. Ao moldarem o mapa da região e destruírem regimes hostis, os EUA acabaram por abrir caminho para uma supremacia territorial israelita. Falta perceber se os interesses das intervenções dos EUA no Médio Oriente foram movidas para acabar com os "regimes hostis", ou apenas para abrir caminho para o sionismo israelita.

O que move esta parceria diplomática assenta numa parceria de segurança blindada por redes de poder em Washington. O lóbi sionista, liderado pelo AIPAC, dita o comportamento do Congresso através do financiamento agressivo de campanhas eleitorais. Esta enorme capacidade de pressão financeira no centro do poder gera uma paralisia política: nenhum presidente arrisca cortar a assistência militar a Israel sem esperar sofrer consequências devastadoras a nível interno.

O exemplo mais claro desta armadilha geopolítica ocorreu recentemente. A administração norte-americana tentou fechar um acordo com o Irão para estabilizar o mercado de energia. Israel ignorou o memorando, violou o cessar-fogo e atacou violentamente o Líbano. Mesmo perante este boicote público aos interesses económicos de Washington, o fluxo de armas americanas não parou. Ao manter o veto na ONU e o envio de munições, os EUA provam que estão dispostos a sacrificar a sua própria estratégia global para sustentar o sionismo radical de Israel.

De-influencing

Verónica Oliveira
Por Verónica Oliveira

Já ouviu falar do conceito de-influencing? 

Atualmente, cada vez mais observamos uma sociedade em que acaba por ser facilmente influenciada nas redes sociais, principalmente na compra de certos produtos, fazendo com que o espírito crítico acabe por ser posto de parte. 

Contudo, esta nova tendência tem vindo a ganhar força, assente numa premissa diferente: agora, os criadores de conteúdos incentivam ativamente a uma maior consciência no consumo, apelando à redução de compras desnecessárias. Assim, o de-influencing surge como uma forma de consciencialização que força a criação de espírito crítico e fomenta a preocupação pela questão social e ambiental.

Deste modo, a necessidade de recuperar o nosso espírito crítico, não funciona apenas na compra de produtos em lojas, mas também quando falamos na nossa carteira de ativos. No presente, os mercados financeiros acabam por funcionar de uma forma muito parecida às redes sociais, dado que, cada vez mais, observamos figuras que prometem o enriquecimento rápido, a existência de aplicações que nos incentivam a apostar em certas ações. Neste sentido, podemos observar que este investimento acaba por camuflar o consumo por impulso, uma vez que estas estratégias de marketing estão intrinsecamente ligadas com a psicologia, principalmente com o conceito FOMO.

Desta forma, com o auxílio da literacia financeira, devemos refletir sobre as nossas decisões, para entender em que medida essa compra nos fará sentido, incentivando assim o pensamento crítico.

5 Aplicações Úteis para Investidores e Pessoas que Estudam Finanças

Sahib Khaler
Por Sahib Khaler

No mundo de hoje, as finanças estão a tornar-se mais digitais do que nunca. Os investidores já não dependem apenas de jornais, canais de televisão ou relatórios financeiros longos para compreender o mercado. Com as aplicações certas, qualquer pessoa pode acompanhar empresas, seguir preços, ler notícias do mercado, estudar gráficos e melhorar o seu conhecimento financeiro através do telemóvel ou do computador.

A dica deste mês é sobre cinco aplicações úteis que podem ajudar investidores, traders, estudantes e pessoas interessadas em finanças a tomar decisões melhores e mais informadas.


1. Quartr

A Quartr é uma das aplicações mais úteis para pessoas que querem compreender as empresas de uma forma mais profunda. Dá acesso a chamadas de resultados, apresentações de empresas, relatórios financeiros, transcrições e atualizações para investidores de empresas cotadas em bolsa.

Esta aplicação é especialmente útil para investidores de longo prazo, porque permite ouvir diretamente o que a gestão da empresa está a dizer. Em vez de apenas ler títulos de notícias, os investidores podem compreender o desempenho real da empresa, os planos futuros, os riscos e a estratégia do negócio.

Na minha opinião, a Quartr é muito valiosa porque ajuda a ouvir as chamadas de resultados das empresas em que investimos, mantendo-nos atualizados. Os utilizadores também podem usar a inteligência artificial integrada na aplicação para resumir os resultados ou perguntar qualquer coisa importante.


2. TradingView

O TradingView é uma das plataformas mais populares para gráficos e análise técnica. É muito usado por traders e investidores para estudar os movimentos de preços em ações, forex, criptomoedas, matérias-primas e índices.

A aplicação permite aos utilizadores criar listas de acompanhamento, usar indicadores técnicos, desenhar níveis de suporte e resistência e analisar tendências do mercado. É útil tanto para iniciantes como para utilizadores avançados, porque a plataforma é simples de usar, mas também tem muitas ferramentas profissionais.

Para investidores, o TradingView pode ajudar a identificar níveis importantes de preço, tendências e sentimento do mercado. Para traders, pode ajudar no momento de entrada, saída e também a fazer backtest da sua estratégia.

O TradingView é uma das melhores aplicações para análise visual do mercado. No entanto, não deve ser usado sozinho. Um gráfico pode mostrar o movimento do preço, mas nem sempre explica a razão por trás desse movimento. Por isso, combinar o TradingView com notícias, dados económicos e pesquisa sobre empresas é muito melhor.


3. Investing.com

O Investing.com é uma aplicação muito útil para estar atualizado sobre os mercados financeiros e eventos económicos. Fornece notícias do mercado, preços em tempo real, calendário económico, atualizações de resultados e dados de diferentes classes de ativos.

Uma das funcionalidades mais úteis é o calendário económico. Os investidores podem acompanhar eventos importantes como dados de inflação, decisões sobre taxas de juro, relatórios de emprego, dados do PIB e discursos dos bancos centrais. Estes eventos podem ter um grande impacto em ações, moedas, ouro e outros mercados.


4. Yahoo Finance

O Yahoo Finance é uma aplicação simples e prática para acompanhar ações, ETFs, carteiras e notícias financeiras. É útil para pessoas que querem criar uma lista de acompanhamento e verificar rapidamente como os seus investimentos estão a evoluir.

A aplicação dá acesso a preços de ações, informação sobre empresas, notícias do mercado, demonstrações financeiras, estimativas de analistas e ferramentas básicas de acompanhamento de carteiras. Não é demasiado complicada, o que a torna boa para iniciantes.

Para alguém que está apenas a começar em finanças, o Yahoo Finance pode ser uma boa primeira aplicação. Ajuda os utilizadores a acompanhar empresas e a compreender informação básica do mercado sem se sentirem sobrecarregados.

O Yahoo Finance é útil devido à sua simplicidade. Nem todos os investidores precisam de ferramentas avançadas o tempo todo. Às vezes, uma aplicação simples e limpa é melhor para verificar rapidamente atualizações do mercado e acompanhar as suas empresas favoritas.


5. Finimize

A Finimize é diferente das outras aplicações porque se foca mais na educação financeira e em notícias do mercado simplificadas. Explica temas de finanças, ideias de investimento e acontecimentos do mercado de uma forma curta e fácil de compreender.

Esta aplicação é útil para iniciantes, estudantes e pessoas ocupadas que querem perceber o que está a acontecer nos mercados sem ler relatórios longos e complicados. Pode ajudar os utilizadores a construir conhecimento financeiro passo a passo.

A Finimize é útil porque muitas pessoas acham as finanças difíceis devido à linguagem complicada. Se as notícias financeiras forem explicadas de forma simples, mais pessoas podem aprender e tomar melhores decisões. No entanto, os investidores devem sempre fazer a sua própria pesquisa antes de fazer qualquer investimento.


Opinião Final

Na minha opinião, estas cinco aplicações podem ser muito úteis se forem usadas em conjunto. Cada aplicação tem um objetivo diferente. A Quartr é boa para se manter atualizado sobre os seus investimentos, o TradingView é bom para análise de gráficos, o Investing.com é bom para notícias económicas, o Yahoo Finance é bom para acompanhamento simples, e a Finimize é boa para aprender.

O melhor investidor não é a pessoa que usa mais aplicações, mas sim a pessoa que usa a informação certa da forma certa. As aplicações podem ajudar-nos a estar informados, mas não devem substituir o pensamento próprio, a paciência e a gestão de risco.

No geral, estas ferramentas podem ajudar os investidores a tornarem-se mais organizados, mais informados e mais confiantes. Quer alguém seja iniciante ou já tenha experiência em finanças, usar estas aplicações pode melhorar a forma como estuda o mercado e toma decisões de investimento.